sábado, 10 de março de 2012

“RESTITUI! EU QUERO DE VOLTA O QUE É MEU!”

Frequentemente surgem músicas no meio "gospel" que tocam a nossa emoção, nos fazem chorar, mas não se engane passe tudo pelo "teste de fogo" da Palavra, que em nada deixa dúvidas!
Bem, o texto a seguir foi extraído do site da Igreja Metodista Nova Canaã, e eu achei muito interessante.

“RESTITUI! EU QUERO DE VOLTA O QUE É MEU!”

Esta frase extraída de uma canção “evangélica” me faz lembrar a petulante atitude do Filho Pródigo quando disse: “Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe”. E quão diferente não foi a atitude deste mesmo filho, que, anos mais tarde, arrependido, apresenta-se diante do pai com o coração quebrantado, humilde, e nada reivindica, pois, agora, está consciente de não possuir direito algum diante do pai. Observe que ele nem mesmo se sente digno de ser tratado como filho. Ele confessa o seu pecado e passa a contar apenas com a misericórdia do pai.
Nem o Filho Pródigo e nem Jó em seus momentos de angústia cantaram ou clamaram algo parecido com: “restitui, eu quero de volta o que é meu”. Quando Jó perdeu tudo, ele exclamou: “O Senhor deu, o Senhor levou, bendito seja o nome do Senhor”. Jó, mesmo sendo considerada uma pessoa justa, sabia que tudo na vida era uma dádiva e que nada era dele por direito. Não considerava nada como sendo realmente seu, pois sabia que tudo pertencia ao Senhor.
Pensando bem, se o salário do pecado é a morte, então, o que os pecadores teriam de fato por “direito” seria a morte. Por isto, o profeta Jeremias diz que as misericórdias do Senhor são o motivo de não termos sido consumidos (Lm 3:22). E diz mais ainda em 3.39: “Do que se queixa o ser vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados”.
Clamar a Deus: “Restitui! Eu quero de volta o que é meu!” soa tão arrogante quanto a oração do fariseu que se sentia cheio de direitos diante de Deus. Jesus diz que tal prece foi ignorada por Deus, enquanto a humilde oração de arrependimento do publicano pecador achou graça aos olhos de Deus (Lc 18.14). Pois sabemos que “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4:6).
Vemos nesta canção também outro vento novo de doutrina, que está sendo denominada, teologia da restituição. Baseado em Joel 2.25, está sendo ensinado que tudo o que nos foi roubado pelo diabo, estará sendo restituído por Deus: “Restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto migrador, pelo destruidor e pelo cortador, o meu grande exército que enviei contra vós outros.” Mas o próprio versículo deixa claro que este exército de gafanhotos não foi enviado pelo Diabo, mas, sim, por Deus, com intuito de disciplinar, corrigir e ensinar seu povo. Outro problema também é atribuirmos ao diabo os nossos infortúnios e nos esquivarmos de nossa responsabilidade pessoal. É interessante notar que, diante deste quadro, o profeta Joel não conclama o povo a um clamor de restituição, mas, sim, a um clamor de arrependimento (2.12-15). Corações quebrantados, contritos e humildes nunca são rejeitados por Deus: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus” (Sl 51:17; Ver também: Is 57.15 e 2 Cr 7.14).
Quando Deus promete restituir, isto se deve a sua misericórdia e graça e não a qualquer espécie deobrigação, pois Deus nada deve ao ser humano, mas somos nós quem lhe devemos tudo. Pois “quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11.35,36).

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